Especialidades · Audição infantil
Surdez e perda auditiva infantil: como identificar e o que fazer
A perda auditiva na infância pode existir desde o nascimento ou aparecer depois, e nem sempre é evidente para a família. Atraso de fala, desatenção e aumento constante do volume são sinais de alerta. O diagnóstico se faz com exames de audição específicos para cada idade. Quanto mais cedo se identifica, mais cedo começa a intervenção.
Conteúdo revisado por Profa. Dra. Aline Bittencourt, CRM-MA 7562 Atualizado em
O que é perda auditiva infantil?
Perda auditiva infantil é qualquer redução da capacidade de ouvir em uma criança, de grau leve a profundo, em um ouvido ou nos dois. Ela pode estar presente desde o nascimento — o que se chama perda auditiva congênita — ou surgir ao longo da infância.
A palavra “surdez” costuma ser usada para as perdas mais acentuadas, de grau severo ou profundo, em que a criança não ouve a fala em volume normal. Mas boa parte das crianças com dificuldade auditiva ouve alguma coisa. Elas escutam, só não escutam tudo — e é justamente isso que faz o problema demorar a ser percebido.
Quais são os sinais de alerta?
Nos primeiros meses de vida:
- Não se assusta com sons altos e inesperados.
- Não acorda nem se mexe com barulho ambiente.
- Não busca com os olhos a origem de um som a partir dos seis meses.
- Não balbucia ou para de balbuciar depois de ter começado.
A partir de um ano:
- Atraso para começar a falar, ou fala pouco comparada a outras crianças da mesma idade.
- Fala trocando ou “comendo” sons, de forma que só a família entende.
- Não responde quando chamada de costas ou de outro cômodo.
- Aumenta muito o volume da televisão.
- Parece distraída ou desatenta, principalmente em ambientes com ruído.
Na idade escolar, a queixa que chega ao consultório muitas vezes não é de audição: é de desatenção, de dificuldade de aprendizagem, de a criança “viver no mundo da lua”. Vale sempre checar a audição antes de concluir qualquer outra coisa.
Quando levar a criança ao otorrino?
Procure avaliação sempre que:
- A criança não passar ou ficar em observação no teste da orelhinha.
- Houver atraso para falar, em qualquer idade.
- Houver histórico de surdez na família.
- A criança tiver tido meningite, ou usado medicamentos que podem afetar a audição.
- Houver otites de repetição, ronco importante ou respiração pela boca.
- Simplesmente houver a dúvida. Investigar a audição não tem contraindicação.
Como é o diagnóstico na Clínica Rhinus?
A avaliação combina consulta e exames. Na consulta, o otorrinolaringologista pergunta sobre a gestação, o parto, o desenvolvimento da fala, o histórico familiar e as infecções que a criança já teve, e examina o ouvido, o nariz e a garganta.
Os exames de audição são escolhidos conforme a idade e a colaboração da criança:
| Exame | Para quem | O que mostra |
|---|---|---|
| Emissões otoacústicas | Recém-nascidos e bebês | Se a cóclea, o órgão da audição, está respondendo |
| Imitanciometria | Qualquer idade | Se há secreção atrás do tímpano e como o tímpano se move |
| BERA | Qualquer idade, inclusive dormindo | O grau da perda, sem depender de resposta da criança |
| Audiometria lúdica | A partir de 2 a 3 anos | O quanto a criança ouve em cada frequência, por brincadeira |
| Audiometria convencional | A partir de 4 a 5 anos | O grau e o tipo da perda, com detalhe |
Nenhum desses exames dói e nenhum deles usa radiação.
Quais são os tratamentos?
Depende inteiramente da causa e do grau. Alguns caminhos possíveis:
- Perda por secreção no ouvido médio. É a mais comum e costuma ser reversível. O tratamento vai do acompanhamento clínico à colocação de um tubo de ventilação, o “tubinho”, quando a secreção persiste e atrapalha a audição.
- Perda relacionada a adenoide e amígdalas. Quando a obstrução contribui para as otites de repetição, tratar a obstrução faz parte do plano.
- Perda auditiva neurossensorial de grau leve a severo. Costuma envolver adaptação de aparelho auditivo e acompanhamento fonoaudiológico.
- Perda de grau severo a profundo nos dois ouvidos. Quando o aparelho auditivo não é suficiente, avalia-se a candidatura ao implante coclear, um dispositivo implantado cirurgicamente que estimula diretamente o nervo auditivo.
E a surdez profunda: o que muda?
Surdez profunda é a perda em que a criança não tem acesso à fala mesmo com amplificação convencional. A avaliação é mais longa e envolve exames de imagem do ouvido, avaliação fonoaudiológica e a participação da família nas decisões.
A Clínica Rhinus conduz a investigação diagnóstica desses casos, a avaliação de candidatura e a cirurgia de implante coclear, realizada pela Profa. Dra. Aline Bittencourt, que tem fellowship em cirurgia otológica avançada e de base lateral do crânio pela USP e doutorado em otorrinolaringologia pela mesma instituição.
Por que o tempo importa tanto?
Os primeiros anos de vida são o período em que o cérebro organiza a linguagem a partir do que escuta. Identificar a perda auditiva cedo permite começar a intervenção dentro dessa janela. Não se trata de urgência no sentido de emergência — trata-se de não deixar passar meses de espera quando existe uma dúvida razoável.
Fontes consultadas: Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) · Sociedade Brasileira de Otologia · Flint PW, Francis HW, Haughey BH, et al. Cummings Otolaryngology: Head and Neck Surgery. 7ª ed. Elsevier; 2020. · Tratado de Implante Coclear e Próteses Auditivas Implantáveis. 2ª ed. Thieme Revinter. · Bento RF, Bittencourt AG, Voegels RL. Seminários em Otorrinolaringologia. Fundação Otorrinolaringologia.
Perguntas frequentes
Dúvidas sobre audição infantil
Meu filho passou no teste da orelhinha. Ele pode ter perda auditiva mesmo assim?
Pode. O teste da orelhinha identifica a maior parte das perdas presentes ao nascer, mas existem perdas que surgem depois — por infecções, medicamentos, meningite ou causas genéticas de manifestação tardia. Por isso a audição deve ser reavaliada sempre que houver atraso de fala ou preocupação da família, mesmo com um teste normal na maternidade.
Com que idade dá para fazer um exame de audição confiável?
Em qualquer idade. O que muda é o exame. Recém-nascidos e bebês fazem emissões otoacústicas e BERA, que não exigem colaboração. A partir dos dois ou três anos é possível fazer audiometria lúdica, com brincadeiras. A audiometria convencional costuma ser possível a partir dos quatro ou cinco anos.
Perda auditiva sempre significa surdez total?
Não. A perda auditiva tem graus, de leve a profundo, e pode afetar um ou os dois ouvidos. Muitas crianças ouvem, mas de forma incompleta — perdem os sons mais agudos, ou entendem em silêncio e se perdem no ruído da sala de aula. Esse tipo de perda parcial passa despercebido com frequência.
Quando se avalia o implante coclear?
O implante coclear é considerado em perdas auditivas de grau severo a profundo nos dois ouvidos, quando o aparelho auditivo convencional não traz benefício suficiente. A indicação é feita por uma equipe, com base em exames de audição, exames de imagem e avaliação fonoaudiológica. Na Clínica Rhinus, a avaliação e a cirurgia são conduzidas pela Profa. Dra. Aline Bittencourt.
Otite pode causar perda auditiva na criança?
Sim, e é uma das causas mais comuns na infância. O acúmulo de secreção atrás do tímpano — a chamada otite média com efusão, ou secretora — reduz a audição enquanto está presente. Costuma ser temporária, mas quando persiste por meses pode atrapalhar a fala e o aprendizado, e aí há tratamento específico.
Fale com a equipe sobre o seu caso
Casos de surdez profunda e candidatura a implante coclear passam por avaliação individual. Agende a consulta e traga os exames, laudos e encaminhamentos que já existirem. Esse histórico orienta a conversa desde o primeiro dia.