Exames · Audição

BERA: o exame que mede a audição sem depender de resposta

O BERA registra a resposta elétrica do nervo auditivo e do tronco cerebral a um estímulo sonoro. Como não depende de o paciente responder nada, serve para bebês, crianças pequenas e qualquer pessoa que não consiga colaborar com a audiometria. É indolor e feito com eletrodos colados na pele.

Conteúdo revisado por Profa. Dra. Aline Bittencourt, CRM-MA 7562 Atualizado em

Sala do exame BERA na Clínica Rhinus, com maca, poltrona de acompanhante e o equipamento

O que o BERA mede?

BERA é a sigla em inglês para resposta auditiva do tronco encefálico. Quando um som chega ao ouvido, ele gera um impulso elétrico que percorre o nervo auditivo e o tronco cerebral. O exame capta esse impulso por eletrodos colados na pele e registra o tempo e a amplitude de cada etapa do percurso.

Isso permite duas coisas: estimar o limiar auditivo — o som mais fraco que ainda gera resposta — e verificar se a via auditiva está conduzindo o sinal normalmente.

Quando ele é indicado?

  • Recém-nascidos e bebês que não passaram na triagem auditiva.
  • Crianças com atraso de fala, quando a audiometria não é possível.
  • Pessoas que não conseguem colaborar com a audiometria convencional.
  • Investigação de perda auditiva assimétrica, de um lado só.
  • Suspeita de alteração na via auditiva.

Como é feito?

  1. A pele da testa e atrás das orelhas é limpa e os eletrodos adesivos são colados.
  2. Fones são colocados nos ouvidos.
  3. O paciente fica deitado, em repouso, e o silêncio e a imobilidade importam — daí o exame ser feito com bebês dormindo.
  4. Sequências de cliques em diferentes intensidades são apresentadas, e o equipamento registra as respostas.

Movimento e tensão muscular geram interferência. É por isso que o preparo do sono, no caso das crianças, faz tanta diferença no resultado.

Com ou sem sedação?

O exame exige silêncio e imobilidade, porque movimento e tensão muscular geram interferência no registro. Há dois caminhos para conseguir isso, e a Clínica Rhinus trabalha com os dois:

  • Sono natural. É a primeira escolha em bebês e crianças pequenas. Depende de chegar no horário em que a criança costuma dormir, alimentada e cansada — daí o preparo importar tanto.
  • Com sedação. Indicada quando a criança não adormece naturalmente, acorda com facilidade ou não permanece imóvel o tempo necessário. Na clínica, a sedação é realizada com a presença de anestesista, que acompanha o paciente durante todo o exame.

Quando o exame é agendado com sedação, há jejum a cumprir e o paciente precisa vir acompanhado por um adulto. A equipe passa essas orientações no agendamento.

O que o resultado mostra?

O laudo traz as ondas registradas, os tempos entre elas e o limiar estimado para cada ouvido. A leitura é feita pelo otorrinolaringologista junto com os demais exames auditivos e a história clínica.

Na Clínica Rhinus, o exame é conduzido por fonoaudiólogos da equipe, e o resultado é discutido na consulta.

Como me preparo para o exame?

  • Traga o pedido médico: ele é obrigatório para todos os exames, no convênio e no particular.
  • Em bebês e crianças pequenas, o exame é feito durante o sono natural — chegue com a criança cansada e alimentada.
  • Lave o cabelo antes e não use gel, creme ou óleo, que atrapalham a fixação dos eletrodos.
  • Não use maquiagem, protetor solar ou creme hidratante no rosto no dia do exame: eles atrapalham a fixação dos eletrodos.
  • Traga o que ajudar a criança a dormir: mamadeira, chupeta, cobertor, o brinquedo de sempre.
  • Leve exames auditivos anteriores para comparação.
  • Se o exame for agendado com sedação, siga o jejum orientado pela equipe e venha acompanhado por um adulto.

Fontes consultadas: Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) · Flint PW, Francis HW, Haughey BH, et al. Cummings Otolaryngology: Head and Neck Surgery. 7ª ed. Elsevier; 2020. · Bento RF, Bittencourt AG, Voegels RL. Seminários em Otorrinolaringologia. Fundação Otorrinolaringologia.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre audição

Meu filho precisa ser sedado para fazer BERA?

Nem sempre. A Clínica Rhinus realiza o BERA das duas formas: em sono natural, que é a primeira escolha em bebês e crianças pequenas, e com sedação, quando a criança não adormece ou não permanece imóvel o suficiente. Quando há sedação, ela é feita com a presença de anestesista. A decisão é tomada em consulta.

Qual a diferença entre BERA e audiometria?

A audiometria depende de o paciente sinalizar que ouviu; ela mede a percepção. O BERA mede a resposta elétrica da via auditiva ao som, sem depender de resposta voluntária. Por isso serve em qualquer idade, mas dá uma estimativa do limiar, e não o mapa detalhado frequência por frequência que a audiometria oferece.

O exame dói?

Não. Os eletrodos são adesivos colados na testa e atrás das orelhas, depois de uma leve limpeza da pele. O som chega por fones. Não há picada, corrente elétrica desconfortável nem radiação.

Quanto tempo demora?

Costuma levar de 40 a 60 minutos, contando o preparo e o tempo até a criança adormecer. Em adultos, tende a ser mais rápido.

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