Especialidades · Otologia

Otite crônica: quando a inflamação do ouvido não vai embora

A otite média crônica é uma inflamação do ouvido médio que persiste por meses, em geral com perfuração do tímpano e saída de secreção que vai e volta. Diferente da otite aguda, ela não se resolve só com antibiótico. O tratamento depende do que está acontecendo atrás do tímpano e pode ser clínico ou cirúrgico.

Conteúdo revisado por Profa. Dra. Aline Bittencourt, CRM-MA 7562 Atualizado em

O que é otite média crônica?

O ouvido médio é a câmara de ar que fica logo atrás do tímpano e abriga os três ossinhos da audição. Otite média crônica é a inflamação dessa câmara mantida por meses — em geral acompanhada de uma perfuração do tímpano que não cicatrizou.

Enquanto a perfuração existe, o ouvido médio fica exposto. Água, poeira e bactérias chegam onde não deveriam chegar, e a inflamação recomeça. É por isso que a otite crônica costuma seguir um padrão de melhora e piora, sem nunca resolver de vez.

Quais são os sintomas?

  • Secreção que sai do ouvido, de tempos em tempos, às vezes com odor forte.
  • Perda auditiva que aumenta devagar, ao longo de anos.
  • Sensação de ouvido tampado ou de audição abafada do lado afetado.
  • Zumbido no ouvido afetado.
  • Pouca ou nenhuma dor, na maior parte dos casos.

Sinais que pedem avaliação sem demorar: dor intensa, tontura com rotação, febre, dor de cabeça persistente ou fraqueza de um lado do rosto.

Otite crônica é o mesmo que otite de repetição?

Não, e a confusão é comum.

O que comparar Otite de repetição Otite média crônica
O que acontece Vários episódios agudos separados, com cura entre eles Uma inflamação que não cessa
Quem costuma ter Principalmente crianças pequenas Adolescentes e adultos, com histórico antigo
Dor Forte, em crises Pouca ou nenhuma
Tímpano Íntegro entre os episódios Em geral perfurado
Base do tratamento Tratar as causas da repetição Deixar o ouvido seco e seguro

Quais são os riscos de não tratar?

A otite crônica não é apenas um incômodo. A inflamação mantida por anos — e sobretudo o colesteatoma, que cresce e vai corroendo o que encontra pela frente — pode alcançar estruturas importantes que ficam ao redor do ouvido médio:

  • Os ossículos da audição. Martelo, bigorna e estribo transmitem o som do tímpano ao ouvido interno. Quando são erodidos, surge perda auditiva de condução, que costuma ser permanente sem reconstrução cirúrgica.
  • O labirinto. É a estrutura do ouvido interno responsável pelo equilíbrio. Uma erosão da sua parede óssea, chamada fístula labiríntica, provoca tontura giratória e pode levar a perda auditiva neurossensorial, que a cirurgia não recupera.
  • O nervo facial. Ele passa por dentro do osso, ao lado do ouvido médio. O comprometimento desse nervo causa fraqueza ou paralisia de um lado do rosto.
  • As estruturas vizinhas ao crânio. Complicações raras, mas graves, como meningite, abscesso e trombose de seio venoso, descritas quando a doença ultrapassa os limites do osso temporal.

Nada disso acontece da noite para o dia, e a maioria das pessoas com otite crônica nunca chega a esse ponto. O que essa lista explica é por que ouvido que escorre há anos merece avaliação mesmo sem dor: quanto antes se identifica um colesteatoma, menor a extensão do que ele já alcançou.

Procure avaliação sem esperar se aparecer tontura giratória, dor intensa, febre, dor de cabeça persistente ou fraqueza de um lado do rosto.

Como é o diagnóstico na Clínica Rhinus?

A consulta começa pela história — há quanto tempo, com que frequência escorre, se já houve cirurgia, se há perda auditiva percebida — e pelo exame do ouvido com otoscopia. A partir daí, os exames que costumam entrar:

  • Audiometria e imitanciometria, para medir o grau e o tipo da perda auditiva e avaliar o comportamento do tímpano.
  • Tomografia computadorizada dos ossos temporais, quando é preciso ver o osso e as estruturas do ouvido médio em detalhe, sobretudo na suspeita de colesteatoma.

Quais são os tratamentos?

O tratamento clínico cuida da fase inflamatória: limpeza do canal, medicação tópica e orientação para manter o ouvido seco. Ele controla a infecção, mas não fecha a perfuração.

O tratamento cirúrgico entra quando o objetivo é fechar o tímpano, remover doença do ouvido médio ou tratar um colesteatoma. As cirurgias mais comuns são a timpanoplastia — a reconstrução do tímpano — e a timpanomastoidectomia, quando é necessário limpar também a mastoide, o osso atrás da orelha. Esse tema tem uma página própria em cirurgia de ouvido.

A escolha entre um caminho e outro depende do tamanho e da localização da perfuração, do estado dos ossinhos, da presença de colesteatoma, da audição do outro ouvido e da vida do paciente. É uma decisão conversada, não uma regra automática.

Fontes consultadas: Sociedade Brasileira de Otologia · Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) · Flint PW, Francis HW, Haughey BH, et al. Cummings Otolaryngology: Head and Neck Surgery. 7ª ed. Elsevier; 2020. · Tratado de Implante Coclear e Próteses Auditivas Implantáveis. 2ª ed. Thieme Revinter. · Bento RF, Bittencourt AG, Voegels RL. Seminários em Otorrinolaringologia. Fundação Otorrinolaringologia.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre otologia

Qual a diferença entre otite aguda e otite crônica?

A otite aguda é um episódio: dor forte, febre, começo rápido, e resolução em dias com tratamento. A otite crônica é um estado que se arrasta por meses, normalmente com perfuração do tímpano e secreção que vai e volta, com pouca ou nenhuma dor. São situações diferentes e o tratamento também é diferente.

Otite crônica dói?

Em geral não, e é justamente isso que faz muita gente conviver com ela por anos. O incômodo principal costuma ser a secreção com odor e a perda auditiva progressiva. Dor forte, tontura ou paralisia de um lado do rosto em quem tem otite crônica são sinais de alerta e pedem avaliação rápida.

Posso molhar o ouvido se tenho o tímpano perfurado?

Com o tímpano perfurado, a água que entra no canal chega ao ouvido médio e pode desencadear uma nova infecção. A orientação habitual é proteger o ouvido no banho e evitar mergulho, mas a conduta é individual: converse com o seu otorrinolaringologista sobre o seu caso.

O que é colesteatoma?

É um acúmulo de pele em um lugar onde ela não deveria estar, dentro do ouvido médio. Ele cresce lentamente e vai erodindo as estruturas ao redor, incluindo os ossinhos da audição. Não regride com medicamento: o tratamento é cirúrgico, e por isso o diagnóstico precoce faz diferença.

A perda auditiva da otite crônica volta depois da cirurgia?

A cirurgia tem dois objetivos, e eles não são iguais: deixar o ouvido seco e seguro, e reconstruir o mecanismo da audição. O primeiro é o principal. O ganho auditivo depende do estado dos ossinhos e da cóclea de cada paciente, e é discutido caso a caso antes do procedimento.

Ver todas as perguntas frequentes

Fale com a equipe sobre o seu caso

Otite crônica com perfuração do tímpano ou suspeita de colesteatoma passa por avaliação individual. Agende a consulta e traga a tomografia, a audiometria e os laudos que já tiver. Eles são analisados com você, na própria consulta.

Agende uma avaliação

Agende uma avaliação

Atendimento para crianças e adultos, por convênio ou particular, no Renascença, em São Luís.

Agendar consulta Ligar para a clínica