Procedimentos · Equilíbrio
Reabilitação vestibular e manobras para a VPPB
A VPPB acontece quando pequenos cristais de cálcio se deslocam dentro do labirinto e provocam crises curtas de vertigem ao mudar de posição. O tratamento é feito em consultório, com manobras que reposicionam esses cristais. Quando o desequilíbrio persiste por outras causas, entra a reabilitação vestibular, um programa de exercícios conduzido em sessões.
Conteúdo revisado por Profa. Dra. Aline Bittencourt, CRM-MA 7562 Atualizado em
Duas coisas diferentes, no mesmo lugar
Esta página reúne dois procedimentos que costumam ser confundidos:
- As manobras de reposicionamento de otólitos tratam uma causa específica de vertigem, a VPPB, e resolvem o problema mecanicamente, em consultório.
- A reabilitação vestibular é um programa de exercícios que treina o cérebro a compensar uma alteração do equilíbrio que não se resolve com uma manobra.
VPPB: o que acontece dentro do ouvido
Em uma parte do labirinto existem pequenos cristais de carbonato de cálcio, os otólitos, que ajudam a detectar a posição da cabeça. Quando se soltam e migram para dentro dos canais semicirculares, passam a se mover a cada mudança de posição e enviam ao cérebro um sinal de rotação que não corresponde ao que está acontecendo.
O resultado é característico: crises fortes, curtas — menos de um minuto — e sempre desencadeadas por um movimento. Deitar, virar na cama, levantar, olhar para cima na prateleira do armário.
Como é a sessão
- Manobra de teste. O profissional posiciona a sua cabeça de uma forma específica e observa os seus olhos. O movimento involuntário que aparece, o nistagmo, indica qual canal está envolvido e de que lado.
- Manobra de tratamento. A partir desse resultado, é feita uma sequência de mudanças de posição que conduz os cristais de volta ao lugar de origem, usando a gravidade.
- Reavaliação. Ao final, o teste é repetido para verificar a resposta.
Cada posição é mantida por algum tempo, e a sessão inteira costuma levar de trinta a quarenta e cinco minutos, incluindo a avaliação.
A vertigem durante a manobra é esperada e faz parte do procedimento.
Quando entra a reabilitação vestibular
Quando o problema não é a VPPB, ou quando o desequilíbrio persiste depois que a causa aguda passou. É o caso de quem teve neurite vestibular, de quem tem perda de função em um labirinto, e de pessoas com instabilidade persistente ao andar.
O programa é feito com exercícios de fixação do olhar, de equilíbrio estático e dinâmico e de habituação ao movimento, ajustados ao caso e progredidos ao longo das sessões, com continuidade em casa.
Uma observação importante: medicação para tontura usada continuamente por meses atrapalha essa compensação. O tema está detalhado na página sobre tontura e labirintite.
Quem deve avisar antes
O procedimento envolve mudanças rápidas de posição da cabeça e do corpo. Quem tem dor cervical importante, hérnia de disco cervical, limitação de movimento no pescoço, instabilidade da coluna ou cirurgia recente na região deve informar antes, para que o profissional avalie a melhor forma de conduzir ou adapte a técnica.
Onde é realizada
Na Clínica Rhinus, no Renascença, em São Luís, dentro do acompanhamento otoneurológico.
As manobras de reposicionamento e as sessões de reabilitação vestibular são realizadas apenas em regime particular. A consulta e os exames de equilíbrio seguem as regras do seu convênio. Fale com a nossa equipe para organizar o agendamento.
Como me preparo para o exame?
- Traga o pedido médico: ele é obrigatório.
- Venha acompanhado, se possível: a manobra provoca vertigem breve durante a sessão.
- Evite refeição pesada nas duas horas anteriores.
- Use roupa confortável, que permita deitar e virar com facilidade.
- Avise se tiver dor cervical, hérnia de disco, limitação de movimento no pescoço ou cirurgia recente na coluna.
- Traga os exames de equilíbrio e a lista de medicações em uso.
Fontes consultadas: Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) · Flint PW, Francis HW, Haughey BH, et al. Cummings Otolaryngology: Head and Neck Surgery. 7ª ed. Elsevier; 2020. · Bento RF, Bittencourt AG, Voegels RL. Seminários em Otorrinolaringologia. Fundação Otorrinolaringologia.
Perguntas frequentes
Dúvidas sobre equilíbrio
O que é a VPPB?
Vertigem posicional paroxística benigna. Pequenos cristais de cálcio que normalmente ficam em uma parte do labirinto se soltam e migram para os canais semicirculares. A cada mudança de posição — deitar, virar na cama, olhar para cima — eles se movem e provocam uma crise curta e intensa de vertigem, que dura menos de um minuto.
Como funciona a manobra de reposicionamento?
É uma sequência de mudanças de posição da cabeça e do corpo, feita pelo profissional, que usa a gravidade para conduzir os cristais de volta ao lugar de onde saíram. Antes dela é feita uma manobra de teste, que identifica qual canal está envolvido e de que lado — porque a manobra de tratamento muda conforme a resposta.
Vou sentir tontura durante a sessão?
Provavelmente sim, e isso é esperado. Tanto a manobra de teste quanto a de tratamento reproduzem a vertigem de forma controlada; é justamente essa resposta que orienta o procedimento. A sensação costuma durar menos de um minuto em cada posição e passa depois da sessão.
Quantas sessões são necessárias?
Varia. Parte dos casos melhora já nas primeiras sessões, outros precisam de repetições, e a VPPB pode voltar meses ou anos depois. A reavaliação é feita a cada sessão, com a manobra de teste, para verificar se ainda há resposta positiva.
As manobras e a reabilitação são atendidas pelo convênio?
Na Clínica Rhinus, não: as manobras de reposicionamento e a reabilitação vestibular são realizadas apenas em regime particular. A consulta com o otorrinolaringologista e os exames de equilíbrio seguem as regras do seu plano. A nossa equipe explica como funciona o agendamento das sessões quando você entrar em contato.
Qual a diferença entre a manobra e a reabilitação vestibular?
A manobra trata uma causa específica, a VPPB, reposicionando os cristais. A reabilitação vestibular é um programa de exercícios que treina o cérebro a compensar uma falha do equilíbrio, usada em quadros como a neurite vestibular ou o desequilíbrio persistente. As duas podem ser indicadas em momentos diferentes do mesmo tratamento.