Exames · Equilíbrio

Posturografia: como o corpo mantém o equilíbrio em pé

A posturografia mede o quanto o corpo oscila em pé, sobre uma plataforma sensível, em situações que alteram a visão e a superfície de apoio. Ela mostra de qual dos sentidos do equilíbrio a pessoa mais depende e o quanto consegue se manter estável. Serve para quantificar o desequilíbrio e para acompanhar a reabilitação vestibular.

Conteúdo revisado por Profa. Dra. Aline Bittencourt, CRM-MA 7562 Atualizado em

Como o corpo se equilibra

Ficar em pé sem cair parece simples, mas depende de três fontes de informação trabalhando juntas:

  • A visão, que informa onde estão o chão e o horizonte.
  • O sistema vestibular, no ouvido interno, que detecta os movimentos da cabeça.
  • A propriocepção, a sensibilidade dos pés, das articulações e dos músculos, que informa a posição do corpo.

O cérebro combina as três. Quando uma delas falha, ele passa a depender mais das outras — e é essa compensação que a posturografia consegue enxergar.

O que o exame faz

Você fica em pé sobre uma plataforma sensível, que registra as pequenas oscilações do corpo. O exame apresenta uma sequência de condições que vão retirando informação, uma de cada vez:

Condição O que ela testa
Olhos abertos, superfície firme O equilíbrio em situação favorável
Olhos fechados, superfície firme O quanto você depende da visão
Superfície instável, olhos abertos O quanto você depende da propriocepção dos pés
Superfície instável, olhos fechados O sistema vestibular quase sozinho

Comparando o desempenho entre as condições, o exame mostra qual sentido está sendo subutilizado e qual está sobrecarregado.

Quando é indicada?

  • Desequilíbrio persistente ao andar, com ou sem vertigem.
  • Antes de iniciar a reabilitação vestibular, para orientar o programa.
  • Ao longo da reabilitação, para acompanhar a evolução com dados comparáveis.
  • Avaliação da estabilidade em pessoas com histórico de quedas.
  • Quando a queixa de instabilidade não corresponde ao que os outros exames mostraram.

O que ela não faz

A posturografia não localiza a lesão. Ela não diz se o problema está no labirinto direito ou esquerdo, nem qual estrutura está comprometida. Isso é papel dos exames que testam cada parte do sistema, descritos na página sobre tontura e labirintite.

O que ela mede é o desfecho: o quanto, no fim das contas, a pessoa consegue se manter estável — e é essa informação que orienta o treinamento.

Onde é realizada

Na Clínica Rhinus, no Renascença, em São Luís, dentro da avaliação otoneurológica. O resultado é interpretado na consulta, junto com os demais exames de equilíbrio.

Este exame é realizado apenas em regime particular. A consulta e os demais exames seguem as regras do seu convênio. Fale com a nossa equipe para organizar o agendamento.

Como me preparo para o exame?

  • Traga o pedido médico: ele é obrigatório.
  • Use roupa confortável, que permita mover-se com facilidade.
  • Traga calçado fechado e sem salto, ou faça o exame descalço, conforme a orientação.
  • Se usa óculos, traga: parte do exame depende da visão.
  • Suspenda medicamentos para tontura e sedativos conforme orientação do médico que solicitou o exame — nunca por conta própria.
  • Venha acompanhado se tiver instabilidade importante ao andar.

Fontes consultadas: Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) · Flint PW, Francis HW, Haughey BH, et al. Cummings Otolaryngology: Head and Neck Surgery. 7ª ed. Elsevier; 2020. · Bento RF, Bittencourt AG, Voegels RL. Seminários em Otorrinolaringologia. Fundação Otorrinolaringologia.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre equilíbrio

A posturografia diz qual é a causa da minha tontura?

Não. Ela mede o desempenho do equilíbrio, não o local da alteração. Quem aponta o lado e a estrutura envolvida são os outros exames, como a vectoeletronistagmografia, o vHIT e o VEMP. A posturografia responde a outra pergunta: o quanto esse problema afeta a sua estabilidade na prática.

Existe risco de cair durante o exame?

O exame é feito com cinto de segurança e com o profissional ao lado o tempo todo. A plataforma é baixa e as condições são apresentadas de forma progressiva. É comum sentir alguma instabilidade em determinadas etapas — isso faz parte do teste e é justamente o que se pretende medir.

Para que serve o resultado?

Para dois usos principais. Planejar a reabilitação vestibular, já que o exame mostra qual sentido está sendo pouco usado e precisa ser treinado. E acompanhar: repetindo o exame ao longo do tratamento, é possível comparar números em vez de depender apenas da percepção de melhora.

Preciso fazer outros exames também?

Em geral sim. A posturografia costuma vir depois ou junto dos exames que investigam a origem do problema. A combinação usual inclui audiometria, vectoeletronistagmografia e, conforme a suspeita, vHIT, VEMP cervical ou eletrococleografia. Cada um responde a uma parte da pergunta.

A posturografia é atendida pelo convênio?

Na Clínica Rhinus, não: a posturografia é realizada apenas em regime particular. A consulta com o otorrinolaringologista e os demais exames de equilíbrio seguem as regras do seu plano. A nossa equipe explica como funciona o agendamento quando você entrar em contato.

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