Procedimentos · Ouvido
Injeção intratimpânica de corticoide
A injeção intratimpânica leva o corticoide diretamente ao ouvido médio, de onde ele alcança o ouvido interno em concentração maior do que a obtida por via oral, com menos efeito no restante do corpo. É usada sobretudo na perda auditiva súbita e em casos selecionados de doença de Ménière. É feita em consultório, com anestesia local.
Conteúdo revisado por Profa. Dra. Aline Bittencourt, CRM-MA 7562 Atualizado em
O que é o procedimento?
O ouvido interno fica protegido por barreiras que dificultam a chegada de medicamentos tomados por via oral. Para alcançá-lo em concentração adequada, seria preciso uma dose alta por todo o corpo — com os efeitos que isso traz.
A injeção intratimpânica contorna esse problema. O corticoide é aplicado através do tímpano, no ouvido médio, e de lá atravessa a janela redonda até o ouvido interno. A concentração local fica maior, e a exposição do restante do organismo, menor.
Quando é indicada?
- Perda auditiva súbita. É a indicação mais frequente. Pode ser usada como tratamento inicial, junto com o corticoide por via oral, ou como resgate quando a resposta ao tratamento oral não foi suficiente. Aqui o tempo importa: quanto antes se inicia, melhor.
- Doença de Ménière, em casos selecionados, para o controle das crises de vertigem.
- Situações em que o corticoide por via oral é desaconselhável, como diabetes de difícil controle, hipertensão, glaucoma ou outras condições que o médico avalie.
Como é feito?
- O ouvido é examinado e o tímpano recebe anestesia local.
- Após o tempo de anestesia, uma agulha fina atravessa o tímpano e o medicamento é depositado no ouvido médio.
- Você permanece deitado, com o ouvido tratado para cima, por alguns minutos, sem engolir nem falar, para que o líquido fique em contato com a janela redonda.
- Ao final, recebe as orientações de cuidado.
O procedimento é feito em consultório, sem internação, e leva de 30 a 40 minutos, contando o tempo de anestesia e o repouso após a aplicação.
O que esperar depois
- Sensação de ouvido tampado por algumas horas.
- Tontura passageira, comum nos primeiros minutos, porque o líquido chega ao ouvido interno em temperatura diferente da do corpo.
- Um pequeno orifício no tímpano, que costuma fechar sozinho.
- Ouvido seco pelo período orientado.
Sobre o resultado
A resposta varia de pessoa para pessoa e depende de fatores como a causa, o grau da perda auditiva e o tempo entre o início dos sintomas e o tratamento. Por isso o acompanhamento é feito com audiometria de controle, comparando com o exame anterior ao procedimento.
Não é possível prever o resultado individual antes de iniciar, e o plano é revisto ao longo do acompanhamento.
Onde é realizada
Na Clínica Rhinus, no Renascença, em São Luís, em consultório, pelo otorrinolaringologista.
O procedimento é realizado apenas em regime particular. A consulta e a audiometria de controle seguem as regras do seu convênio. Fale com a nossa equipe para organizar o agendamento.
Como me preparo para o exame?
- Traga o pedido médico: ele é obrigatório.
- Não é preciso jejum, mas evite refeição pesada imediatamente antes.
- Traga a audiometria mais recente: ela é a referência para comparar depois.
- Informe todas as medicações em uso e se tem diabetes, glaucoma ou hipertensão.
- Avise se já teve perfuração de tímpano ou cirurgia no ouvido a ser tratado.
- Venha acompanhado se possível: tontura passageira após o procedimento é comum.
Fontes consultadas: Sociedade Brasileira de Otologia · Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) · Flint PW, Francis HW, Haughey BH, et al. Cummings Otolaryngology: Head and Neck Surgery. 7ª ed. Elsevier; 2020. · Bento RF, Bittencourt AG, Voegels RL. Seminários em Otorrinolaringologia. Fundação Otorrinolaringologia.
Perguntas frequentes
Dúvidas sobre ouvido
Por que aplicar o corticoide dentro do ouvido?
Porque o ouvido interno é uma região de difícil acesso para o medicamento tomado por via oral. Aplicado no ouvido médio, o corticoide atravessa a janela redonda e chega ao ouvido interno em concentração maior, com menos exposição do restante do organismo — o que importa em quem tem diabetes, hipertensão ou glaucoma.
O procedimento dói?
O incômodo costuma ser pequeno. Antes da aplicação é feita anestesia local no tímpano. Muitas pessoas relatam uma sensação de pressão e ouvido tampado, e é comum sentir tontura passageira quando o líquido, mais frio que o corpo, alcança o ouvido interno. Essa tontura costuma durar poucos minutos.
Quando ela é indicada?
Principalmente na perda auditiva súbita, como tratamento inicial ou de resgate quando o corticoide por via oral não trouxe resposta suficiente. Também em casos selecionados de doença de Ménière, para o controle das crises de vertigem. A indicação é individual e discutida em consulta, com os exames em mãos.
Quantas aplicações são necessárias?
Varia conforme a indicação e a resposta de cada paciente. É comum que sejam feitas algumas aplicações espaçadas por alguns dias, com audiometria de controle entre elas. O número não é definido de antemão: ele é ajustado ao longo do acompanhamento.
O procedimento é atendido pelo convênio?
Na Clínica Rhinus, não: a injeção intratimpânica é realizada apenas em regime particular. A consulta com o otorrinolaringologista e a audiometria de controle seguem as regras do seu plano. A nossa equipe explica como funciona o agendamento quando você entrar em contato.
Quais os cuidados depois?
Ficar deitado com o ouvido tratado para cima por alguns minutos após a aplicação, evitar engolir e falar nesse período, e manter o ouvido seco pelo tempo orientado. O pequeno orifício feito no tímpano costuma fechar sozinho.
Perda auditiva súbita é caso de avaliação rápida
Se você perdeu a audição de um ouvido de uma hora para outra, não espere uma consulta de rotina. Ligue para a clínica: (98) 3199-1706 ou (98) 3015-1537. O telefone é o caminho mais rápido para encaixar uma avaliação.