Exames · Audição

Eletrococleografia: a resposta elétrica da cóclea

A eletrococleografia registra os potenciais elétricos gerados pela cóclea e pelo início do nervo auditivo nos primeiros milissegundos após um som. É usada sobretudo quando há suspeita de hidropsia endolinfática, o acúmulo de líquido no ouvido interno associado à doença de Ménière, e em situações específicas de perda auditiva.

Conteúdo revisado por Profa. Dra. Aline Bittencourt, CRM-MA 7562 Atualizado em

O que a eletrococleografia registra?

Quando um som chega ao ouvido interno, a cóclea gera atividade elétrica antes mesmo de o sinal seguir pelo nervo auditivo. A eletrococleografia capta essa atividade nos primeiros milissegundos e separa dois componentes:

  • O potencial de somação, que reflete o comportamento das estruturas da cóclea durante o estímulo.
  • O potencial de ação, que corresponde ao disparo das fibras do nervo auditivo.

O que interessa clinicamente é sobretudo a relação entre os dois. Quando há acúmulo excessivo de líquido no ouvido interno — a hidropsia endolinfática —, essa relação tende a se alterar de forma característica.

Quando ela é indicada?

  • Suspeita de hidropsia endolinfática, em quem tem crises de vertigem acompanhadas de perda auditiva que vai e volta, zumbido e sensação de ouvido cheio.
  • Acompanhamento de pacientes já em tratamento, quando o médico quer comparar exames ao longo do tempo.
  • Investigação de perdas auditivas específicas, quando é preciso separar o que vem da cóclea do que vem do nervo auditivo.

Como é feito?

  1. A pele da testa é limpa e eletrodos adesivos são colados.
  2. Um eletrodo macio é posicionado na entrada do canal auditivo.
  3. Fones apresentam sequências de estímulos sonoros.
  4. Você permanece deitado, em repouso e em silêncio, enquanto o equipamento registra as respostas.

Movimento e tensão muscular geram interferência, e é por isso que o exame pede imobilidade.

Como se lê o resultado?

O laudo traz os potenciais registrados e a relação entre eles, comparada aos valores de referência. Duas ressalvas importam e valem para todos os casos:

  1. Um resultado alterado apoia a hipótese, não a confirma. O diagnóstico da doença de Ménière é clínico, construído a partir do padrão das crises, da audiometria e da história.
  2. Um exame normal não descarta a doença. A hidropsia pode não estar presente no momento do exame, sobretudo fora das crises.

Por isso a eletrococleografia entra como uma peça da investigação, ao lado da audiometria, dos exames de equilíbrio e da consulta. O contexto está descrito na página sobre tontura e labirintite.

Onde é realizada

Na Clínica Rhinus, no Renascença, em São Luís. O exame é conduzido por fonoaudiólogos da equipe e o resultado é discutido na consulta com o otorrinolaringologista.

Como me preparo para o exame?

  • Traga o pedido médico: ele é obrigatório para todos os exames, no convênio e no particular.
  • Lave o cabelo antes e não use gel, creme ou óleo, que atrapalham a fixação dos eletrodos.
  • Não use maquiagem, protetor solar ou creme hidratante no rosto no dia do exame: eles atrapalham a fixação dos eletrodos.
  • Se houver muita cera no canal auditivo, pode ser necessário limpar antes do exame.
  • Evite exposição a ruído intenso nas horas anteriores.
  • Venha descansado: o exame exige ficar imóvel e relaxado por alguns minutos.
  • Leve a audiometria e os exames de equilíbrio anteriores, se tiver.

Fontes consultadas: Sociedade Brasileira de Otologia · Flint PW, Francis HW, Haughey BH, et al. Cummings Otolaryngology: Head and Neck Surgery. 7ª ed. Elsevier; 2020. · Bento RF, Bittencourt AG, Voegels RL. Seminários em Otorrinolaringologia. Fundação Otorrinolaringologia.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre audição

Quando a eletrococleografia é indicada?

Principalmente na suspeita de hidropsia endolinfática, o acúmulo de líquido no ouvido interno associado à doença de Ménière, em quem tem crises de vertigem com perda auditiva flutuante, zumbido e sensação de ouvido cheio. Também é usada em situações específicas de perda auditiva, quando é preciso separar a resposta da cóclea da do nervo auditivo.

O exame dói?

Não. Eletrodos adesivos são colados na pele e um eletrodo macio é posicionado na entrada do canal auditivo, depois de uma limpeza leve. O som chega por fones. Não há agulha, radiação nem contraste. O incômodo relatado costuma ser o de precisar ficar imóvel por alguns minutos.

Um resultado alterado confirma a doença de Ménière?

Não. O diagnóstico da doença de Ménière é clínico e se baseia no padrão das crises, na audiometria e na história. A eletrococleografia acrescenta um dado que apoia ou enfraquece a hipótese, e é lida junto com o restante. Um exame normal também não descarta a doença.

Qual a diferença para o BERA?

Os dois registram respostas elétricas ao som, mas em pontos diferentes do percurso. O BERA acompanha o sinal ao longo do nervo auditivo e do tronco cerebral, e é usado para estimar o limiar auditivo. A eletrococleografia se concentra na cóclea e no início do nervo, com foco na hidropsia endolinfática.

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