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Próteses auditivas osteoancoradas: quando o som precisa de outro caminho

A prótese auditiva osteoancorada é um implante que leva o som até o ouvido interno pela vibração do osso do crânio, contornando o canal e o ouvido médio. É considerada quando a cóclea funciona, mas o som não consegue atravessar o caminho normal, e quando o aparelho auditivo convencional não é possível ou não resolve.

Conteúdo revisado por Profa. Dra. Aline Bittencourt, CRM-MA 7562 Atualizado em

Quando o som não encontra o caminho

A audição normal depende de uma sequência: o som entra pelo canal auditivo, faz o tímpano vibrar, os ossinhos transmitem essa vibração e a cóclea a converte em sinal para o cérebro. Quando essa cadeia é interrompida em algum ponto antes da cóclea, a perda é chamada de condutiva. O ouvido interno continua capaz de ouvir; o som é que não chega até ele.

A prótese auditiva osteoancorada nasce dessa observação. Em vez de amplificar o som no canal auditivo, ela transforma o som em vibração e a entrega diretamente ao osso do crânio. O osso conduz essa vibração até a cóclea, contornando todo o trecho bloqueado.

Para quem essa indicação existe

Três cenários concentram a maior parte dos casos:

  1. Perda condutiva ou mista. Malformações do ouvido, sequelas de otite crônica, cirurgias prévias do ouvido, otosclerose em situações selecionadas e alterações dos ossinhos que não têm correção cirúrgica satisfatória.
  2. Ouvido que não tolera aparelho convencional. O canal que escorre com frequência, a cavidade aberta de uma cirurgia antiga, a dermatite que o molde piora. Nesses casos o problema não é a amplificação, é o que ela exige: um canal auditivo fechado e saudável.
  3. Surdez de um ouvido só. Aqui a lógica é outra. O dispositivo é colocado do lado que não ouve, capta o som daquele lado e o conduz pelo osso até a cóclea do lado bom. Não devolve a audição do ouvido surdo: reduz o efeito da sombra da cabeça, aquele som que se perde quando vem do lado em que a pessoa não ouve.

Em crianças com microtia ou atresia do canal auditivo, essa costuma ser a primeira via de estímulo auditivo, muitas vezes com a bandana antes da idade de implantar.

Como é a avaliação

A audiometria é o ponto de partida, e o que ela mostra sobre a via óssea é decisivo: é essa reserva coclear que a prótese vai usar. Somam-se a ela os testes de fala, a avaliação do ouvido e, quando indicado, a tomografia dos ossos temporais, que mostra a espessura do osso e a anatomia disponível.

Antes de qualquer decisão cirúrgica existe o teste com bandana. O processador é preso a uma faixa que pressiona o osso e transmite o som por essa via, sem incisão nenhuma. O resultado não é idêntico ao do implante, porque a pele e o tecido entre o processador e o osso atenuam a vibração, mas ele permite a experiência concreta de ouvir por condução óssea e uma conversa honesta sobre o que se espera.

Os modelos

Bonebridge, Osia e Sentio são implantes de condução óssea ativa, de fabricantes diferentes, disponíveis no Brasil. Os três compartilham o mesmo princípio: a parte implantada fica sob a pele íntegra, sem pino atravessando a pele, e o processador externo é mantido no lugar por um ímã. Diferem entre si na tecnologia do transdutor, nas dimensões do implante, nos critérios de compatibilidade com ressonância magnética e nas faixas de perda auditiva para as quais foram desenhados.

Existe ainda o modelo percutâneo, mais antigo, em que um pino de titânio atravessa a pele e recebe o processador. Ele continua tendo lugar em situações específicas, e a escolha entre as opções faz parte da avaliação.

Nenhum modelo é melhor que o outro em abstrato. O que define a escolha é o tipo e o grau da perda, a anatomia do osso naquele paciente, a necessidade futura de exames de imagem e a rotina de quem vai usar o dispositivo todos os dias.

Depois da cirurgia

O implante precisa de um período para integrar ao osso antes de receber o processador. Passado esse tempo, vem a ativação e o ajuste, que não é único: o processador é regulado ao longo das primeiras semanas, conforme a pessoa relata o que ouve. A adaptação a uma nova via de audição leva tempo, e o acompanhamento com fonoaudiólogo faz parte do tratamento.

O caminho na Clínica Rhinus

A investigação diagnóstica, a audiometria e a avaliação de candidatura são feitas na clínica. A cirurgia é realizada pela Profa. Dra. Aline Bittencourt, em ambiente hospitalar, e o acompanhamento antes e depois acontece aqui.

A consulta e a cirurgia seguem regras diferentes. A consulta com a Profa. Dra. Aline Bittencourt é particular: ela não atende por convênio. Já a cirurgia de implante de condução óssea pode ser custeada por todos os convênios, pois consta no Rol de Procedimentos da ANS, inclusive para planos de saúde que a Clínica Rhinus não atende.

Fontes consultadas: Sociedade Brasileira de Otologia · Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) · Flint PW, Francis HW, Haughey BH, et al. Cummings Otolaryngology: Head and Neck Surgery. 7ª ed. Elsevier; 2020. · Tratado de Implante Coclear e Próteses Auditivas Implantáveis. 2ª ed. Thieme Revinter. · Bento RF, Bittencourt AG, Voegels RL. Seminários em Otorrinolaringologia. Fundação Otorrinolaringologia.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre otologia

Qual a diferença entre prótese osteoancorada e implante coclear?

São indicações diferentes. O implante coclear substitui a função da cóclea, e é considerado quando ela está gravemente comprometida. A prótese osteoancorada faz o contrário: ela conta com uma cóclea que funciona e apenas entrega o som até lá por outro caminho, a vibração do osso, quando o canal auditivo ou o ouvido médio não deixam o som passar.

Quem pode ser candidato?

Em linhas gerais, três situações. Perda auditiva condutiva ou mista, em que o ouvido interno responde bem mas o som não chega até ele. Surdez de um ouvido só, quando o dispositivo capta o som do lado surdo e o conduz até a cóclea do lado que ouve. E casos em que o aparelho auditivo convencional não pode ser usado, como o ouvido que escorre com frequência ou o canal auditivo que não se formou. A definição vem do conjunto da avaliação, não de um exame isolado.

É possível testar antes de operar?

Sim, e esse teste faz parte da avaliação. Um processador é acoplado a uma bandana ou a um suporte de teste, que transmite o som pelo osso sem nenhuma cirurgia. Não reproduz exatamente o resultado do implante, mas permite que a pessoa ouça por essa via e diga o que percebe. Em crianças pequenas, a bandana também é usada como solução provisória até a idade de implantar.

Como é a cirurgia?

É um procedimento de porte pequeno a médio, feito em ambiente hospitalar, em que o implante é fixado ao osso atrás da orelha. Nos modelos atuais a pele permanece fechada sobre o implante, sem pino externo atravessando a pele. Depois da cirurgia há um período de cicatrização e integração ao osso, e só então o processador externo é ativado e ajustado.

O que são Bonebridge, Osia e Sentio?

São modelos de implante de condução óssea ativa disponíveis no Brasil, de fabricantes diferentes. Nos três, a parte implantada fica sob a pele íntegra e o processador externo é preso por ímã. Diferem na tecnologia do transdutor, no tamanho, na compatibilidade com exames de ressonância magnética e nos critérios de indicação. A escolha do modelo é parte da avaliação e considera o tipo de perda, a anatomia do osso e a rotina de cada pessoa.

O implante é coberto pelo convênio?

A cirurgia de implante de condução óssea pode ser custeada por todos os convênios, pois consta no Rol de Procedimentos da ANS, inclusive para planos de saúde que a Clínica Rhinus não atende. A consulta com a Profa. Dra. Aline Bittencourt é particular: ela não atende por convênio.

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A indicação de uma prótese osteoancorada nasce de exames e de um teste prévio. Agende a consulta e traga a audiometria, os laudos e qualquer encaminhamento que já existir.

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Atendimento para crianças e adultos, por convênio ou particular, no Renascença, em São Luís.

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