Especialidades · Cirurgia otológica

Cirurgia de ouvido: quando é indicada e como funciona

A cirurgia de ouvido reúne procedimentos que reconstroem o tímpano, tratam doença do ouvido médio ou reparam o mecanismo da audição. A mais conhecida é a timpanoplastia, que fecha uma perfuração do tímpano. A indicação depende do que os exames mostram e do impacto na vida do paciente, e nunca é automática.

Conteúdo revisado por Profa. Dra. Aline Bittencourt, CRM-MA 7562 Atualizado em

O que a cirurgia de ouvido resolve?

Sob o nome “cirurgia de ouvido” cabem procedimentos bem diferentes entre si. Os mais frequentes têm três finalidades:

  1. Fechar o tímpano. A timpanoplastia reconstrói a membrana perfurada com um enxerto do próprio paciente, devolvendo a barreira entre o canal auditivo e o ouvido médio.
  2. Remover doença. A timpanomastoidectomia limpa o ouvido médio e a mastoide, o osso atrás da orelha, quando há colesteatoma ou infecção que não cede.
  3. Recuperar a transmissão do som. A ossiculoplastia reconstrói ou substitui os ossinhos da audição quando eles foram danificados pela doença.

Em crianças, há ainda a colocação do tubo de ventilação — o “tubinho” —, um procedimento curto que drena a secreção acumulada atrás do tímpano.

Nas perdas auditivas de grau severo a profundo, em que nenhuma dessas cirurgias resolve, entra o implante coclear, que tem página própria.

Quando existe indicação?

A indicação costuma aparecer em uma destas situações:

  • Perfuração de tímpano que não cicatrizou depois de meses.
  • Ouvido que escorre repetidamente, apesar do tratamento clínico bem feito.
  • Perda auditiva de condução com impacto no dia a dia.
  • Colesteatoma — aqui a cirurgia é o tratamento, não uma opção entre outras.

Como é a avaliação antes de operar?

Etapa Para que serve
Consulta e otoscopia Ver o tímpano, o tamanho e a posição da perfuração
Audiometria Medir o grau da perda e separar condução de neurossensorial
Imitanciometria Avaliar a pressão e a mobilidade do sistema tímpano-ossicular
Tomografia dos ossos temporais Ver o osso, os ossinhos e a extensão da doença
Avaliação clínica pré-operatória Verificar as condições gerais de saúde para a anestesia

O plano cirúrgico sai desse conjunto. Dois pacientes com “perfuração de tímpano” no papel podem receber recomendações completamente diferentes.

Como costuma ser a recuperação?

A recuperação varia com o porte do procedimento, mas alguns pontos são comuns:

  • Ouvido protegido da água até liberação médica.
  • Não assoar o nariz com força — a pressão sobe pela tuba auditiva e chega ao enxerto.
  • Evitar esforço físico intenso, mergulho e viagem de avião no período orientado.
  • Sensação de ouvido tampado e audição abafada nas primeiras semanas é esperada, porque há curativo interno no canal.
  • Retornos ambulatoriais para limpeza e acompanhamento da cicatrização.

O resultado auditivo só é avaliado depois da cicatrização completa, com uma nova audiometria.

Como é o acompanhamento na Clínica Rhinus?

A avaliação, os exames auditivos e o acompanhamento pré e pós-operatório são feitos na clínica, no Renascença, em São Luís. As cirurgias são realizadas em ambiente hospitalar.

A Profa. Dra. Aline Bittencourt tem fellowship em cirurgia otológica avançada e de base lateral do crânio pela USP, doutorado em otorrinolaringologia pela mesma instituição e é membro da Sociedade Brasileira de Otologia.

Fontes consultadas: Sociedade Brasileira de Otologia · Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) · Flint PW, Francis HW, Haughey BH, et al. Cummings Otolaryngology: Head and Neck Surgery. 7ª ed. Elsevier; 2020. · Tratado de Implante Coclear e Próteses Auditivas Implantáveis. 2ª ed. Thieme Revinter. · Bento RF, Bittencourt AG, Voegels RL. Seminários em Otorrinolaringologia. Fundação Otorrinolaringologia.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre cirurgia otológica

O que é uma timpanoplastia?

É a cirurgia que reconstrói o tímpano perfurado, usando um tecido do próprio paciente — em geral a fáscia de um músculo ou a cartilagem da orelha — como enxerto. Quando o procedimento inclui também a reconstrução dos ossinhos da audição, recebe o nome de timpanoplastia com ossiculoplastia.

Toda perfuração de tímpano precisa de cirurgia?

Não. Perfurações pequenas e recentes, como as que ocorrem depois de uma otite aguda ou de um trauma, muitas vezes cicatrizam sozinhas em algumas semanas. A cirurgia é considerada quando a perfuração persiste, quando o ouvido escorre com frequência ou quando a perda auditiva incomoda.

A cirurgia é feita com anestesia geral?

Na maior parte dos casos sim, embora existam situações em que a anestesia local com sedação é possível. A decisão é do anestesiologista junto com o cirurgião, considerando a extensão do procedimento e as condições de saúde do paciente.

Como costuma ser a recuperação?

O período inicial pede repouso relativo, ouvido protegido da água e cuidado para não assoar o nariz com força nem fazer esforço. O curativo e os pontos, quando existem, são retirados em consulta. O retorno às atividades varia com o tipo de cirurgia e com cada pessoa, e é orientado individualmente.

A audição melhora depois da cirurgia?

Depende do que causou a perda. Se ela vem da perfuração ou dos ossinhos, há espaço para melhora. Se a cóclea, o órgão sensorial, também está comprometida, essa parte da perda não é corrigida pela cirurgia. Por isso a audiometria pré-operatória é essencial: ela mostra o que dá para esperar.

Ver todas as perguntas frequentes

Fale com a equipe sobre o seu caso

Cada indicação cirúrgica é avaliada individualmente. Agende a consulta e traga a audiometria, a tomografia e qualquer indicação de outro serviço. É com esses exames à frente, junto com a sua história, que a conduta se define.

Agende uma avaliação

Agende uma avaliação

Atendimento para crianças e adultos, por convênio ou particular, no Renascença, em São Luís.

Agendar consulta Ligar para a clínica