Especialidades · Otologia
Colesteatoma: o crescimento de pele dentro do ouvido
O colesteatoma é um acúmulo de pele dentro do ouvido médio, a câmara que fica atrás do tímpano. Não é um câncer, mas cresce devagar e vai desgastando o osso e os ossinhos da audição. O sinal mais comum é a secreção no ouvido que vai e volta, com mau cheiro. Não regride com remédio: o tratamento é cirúrgico, e o acompanhamento continua por anos.
Conteúdo revisado por Profa. Dra. Aline Bittencourt, CRM-MA 7562 Atualizado em
O que é colesteatoma?
O ouvido médio é a câmara de ar que fica atrás do tímpano e abriga os três ossinhos da audição. Ele não deveria ter pele por dentro. O colesteatoma é exatamente isso: pele crescendo nesse espaço, formando um acúmulo que aumenta com o tempo.
Como a pele descama continuamente, o colesteatoma vai crescendo e, ao crescer, desgasta o osso ao redor. É esse desgaste lento que explica os riscos da doença.
Por que ele aparece?
- Retração do tímpano. Quando o ouvido médio não é bem ventilado, por exemplo depois de muitas otites, uma parte do tímpano pode ser puxada para dentro e formar uma bolsa. A pele se acumula nessa bolsa e não consegue sair.
- Perfuração do tímpano. Em algumas otites crônicas, a pele do canal do ouvido migra pela borda da perfuração para dentro do ouvido médio.
- Desde o nascimento. Mais raro, o colesteatoma congênito aparece em crianças, atrás de um tímpano íntegro, sem histórico de otite.
Quais são os sintomas?
- Secreção no ouvido que vai e volta, muitas vezes com mau cheiro, mesmo com tratamento.
- Perda auditiva do lado afetado, que costuma aumentar devagar.
- Sensação de ouvido tampado ou de pressão.
- Pouca ou nenhuma dor, na maior parte dos casos.
Procure avaliação sem esperar se aparecer tontura com sensação de rotação, dor intensa, febre, dor de cabeça persistente ou fraqueza de um lado do rosto.
Quais são os riscos de não tratar?
O colesteatoma cresce devagar, mas não para. Ao longo do tempo, ele pode alcançar:
- Os ossinhos da audição, causando perda auditiva de condução.
- O labirinto, a estrutura do equilíbrio, causando tontura e perda auditiva neurossensorial.
- O nervo facial, que passa ao lado do ouvido médio, causando fraqueza de um lado do rosto.
- As estruturas vizinhas ao crânio, em complicações raras, mas graves.
A maioria das pessoas não chega a esse ponto, e é por isso que o diagnóstico precoce importa: quanto antes o colesteatoma é identificado, menor a extensão do que ele já alcançou.
Como é o diagnóstico na Clínica Rhinus?
A consulta começa pela história — há quanto tempo o ouvido escorre, se já houve cirurgia, se há perda auditiva — e pelo exame do ouvido com otoscopia e, quando necessário, com microscópio ou endoscópio. A partir daí, os exames que costumam entrar:
- Audiometria e imitanciometria, para medir o grau e o tipo da perda auditiva.
- Tomografia computadorizada dos ossos temporais, para ver a extensão do colesteatoma e o estado do osso, dos ossinhos e das estruturas vizinhas.
- Ressonância magnética, em situações específicas, sobretudo no acompanhamento depois da cirurgia.
Como é o tratamento?
O tratamento do colesteatoma é cirúrgico. A cirurgia mais usada é a timpanomastoidectomia, que remove o colesteatoma do ouvido médio e da mastoide, o osso que fica atrás da orelha. É feita em ambiente hospitalar, sob anestesia geral.
A cirurgia tem dois objetivos, em ordem de prioridade:
- Remover a doença e deixar o ouvido seco e seguro.
- Reconstruir a audição, quando possível, refazendo o tímpano e os ossinhos. Às vezes essa reconstrução é feita numa segunda etapa.
A técnica depende da extensão do colesteatoma, da audição dos dois ouvidos e da história de cada paciente. Mais detalhes na página de cirurgia de ouvido.
E depois da cirurgia?
O colesteatoma pode voltar, mesmo depois de uma cirurgia bem feita. Por isso o acompanhamento com o otorrinolaringologista continua por anos, com exame do ouvido e, quando indicado, ressonância magnética ou uma segunda etapa cirúrgica para conferir que o ouvido continua livre da doença.
Fontes consultadas: Sociedade Brasileira de Otologia · Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) · Flint PW, Francis HW, Haughey BH, et al. Cummings Otolaryngology: Head and Neck Surgery. 7ª ed. Elsevier; 2020.
Perguntas frequentes
Dúvidas sobre otologia
Colesteatoma é câncer?
Não. O colesteatoma não é um tumor maligno e não se espalha para outras partes do corpo. Ele preocupa por outro motivo: cresce dentro de um espaço pequeno, cercado de estruturas importantes, e vai desgastando o osso por onde passa.
Colesteatoma pode ser tratado só com remédio?
Não. Gotas, antibiótico e limpeza do ouvido ajudam a controlar a infecção e a secreção, mas a pele que está crescendo continua lá. A remoção do colesteatoma é feita por cirurgia.
Criança pode ter colesteatoma?
Pode. Em crianças, ele pode estar presente desde o nascimento, atrás de um tímpano íntegro, ou surgir depois de otites e problemas de ventilação do ouvido. Muitas vezes é descoberto num exame de rotina ou na investigação de uma perda auditiva.
Depois da cirurgia, o colesteatoma pode voltar?
Pode, e por isso o acompanhamento com o otorrinolaringologista continua por anos. Em alguns casos, ressonância magnética ou uma segunda etapa cirúrgica são usadas para confirmar que o ouvido continua livre da doença.
A audição melhora depois da cirurgia?
O objetivo principal da cirurgia é remover o colesteatoma e deixar o ouvido seco e seguro. A reconstrução da audição é um segundo objetivo, que depende do estado dos ossinhos e do ouvido interno, e é discutida caso a caso antes do procedimento.
Fale com a equipe sobre o seu caso
Suspeita de colesteatoma, ou ouvido que continua escorrendo depois de uma cirurgia, passa por avaliação individual. Agende a consulta e traga a tomografia, a audiometria e os relatórios de cirurgia que tiver. Eles são analisados com você, na própria consulta.