Especialidades · Otorrinopediatria
Cirurgia de adenoide e amígdalas na criança
A cirurgia de adenoide e de amígdalas é indicada quando essas estruturas obstruem a respiração durante o sono ou quando as infecções se repetem em alta frequência. Não é a primeira conduta: ela entra depois de avaliação e de tratamento clínico. Na Clínica Rhinus, o procedimento é realizado com a tecnologia coblation.
Conteúdo revisado por Profa. Dra. Aline Bittencourt, CRM-MA 7562 Atualizado em
Quando a cirurgia entra
Adenoide e amígdalas aumentadas são comuns na infância e, na maior parte dos casos, não pedem cirurgia. O tratamento começa pelo controle da rinite, pela lavagem nasal e pelo cuidado com os fatores ambientais — tema tratado na página sobre ronco e respiração bucal na criança.
A cirurgia é considerada quando:
- A obstrução da via aérea durante o sono é significativa e persiste.
- Há apneia do sono documentada.
- As infecções de garganta se repetem em frequência alta, apesar do tratamento.
- Há otite média com efusão que não se resolve e afeta a audição.
Não existe uma medida de adenoide que, sozinha, indique cirurgia. O que pesa é o conjunto: o quanto a criança respira, como ela dorme, quantas vezes adoece e como está a audição.
Adenoide, amígdalas, ou as duas?
São estruturas diferentes, em lugares diferentes, e nem sempre as duas precisam ser operadas.
| Procedimento | O que é retirado | Indicação típica |
|---|---|---|
| Adenoidectomia | A adenoide, no fundo do nariz | Obstrução nasal, voz anasalada, otites de repetição |
| Amigdalectomia | As amígdalas palatinas, na garganta | Infecções de repetição, obstrução ao dormir |
| Adenotonsilectomia | As duas, no mesmo procedimento | Quando ambas contribuem para a obstrução |
A avaliação com videoendoscopia nasal mostra o tamanho real da adenoide e o quanto ela obstrui a passagem de ar, informação que o exame pela boca não dá.
A tecnologia coblation
Na Clínica Rhinus, esses procedimentos são realizados com a tecnologia coblation.
O nome vem de controlled ablation. A técnica aplica radiofrequência em um meio de solução salina, o que gera um campo capaz de dissolver o tecido em temperatura mais baixa do que a do eletrocautério convencional — na faixa das dezenas de graus, e não das centenas.
Na prática, isso permite ao cirurgião remover ou reduzir o tecido delimitando melhor a área tratada. A escolha da técnica é feita pelo cirurgião, considerando o caso, a idade da criança e o objetivo do procedimento. Ela é discutida antes, na consulta pré-operatória.
Como costuma ser a recuperação
A recuperação varia com a criança e com a extensão do procedimento. Alguns pontos são comuns:
- Dor de garganta nos primeiros dias, com orientação de analgesia.
- Alimentação leve e fria, conforme a orientação da equipe.
- Hidratação reforçada — beber líquido ajuda na recuperação.
- Repouso relativo, com retorno gradual às atividades.
- Retornos pós-operatórios para acompanhamento da cicatrização.
Mau hálito e uma placa esbranquiçada na garganta nos primeiros dias fazem parte do processo normal de cicatrização.
Onde é realizada
A avaliação, os exames e o acompanhamento pré e pós-operatório são feitos na Clínica Rhinus, no Renascença, em São Luís. As cirurgias são realizadas em ambiente hospitalar.
Fontes consultadas: Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) · Flint PW, Francis HW, Haughey BH, et al. Cummings Otolaryngology: Head and Neck Surgery. 7ª ed. Elsevier; 2020. · Bento RF, Bittencourt AG, Voegels RL. Seminários em Otorrinolaringologia. Fundação Otorrinolaringologia.
Perguntas frequentes
Dúvidas sobre otorrinopediatria
Quando a cirurgia é indicada?
Quando a obstrução da via aérea durante o sono é significativa e persiste, quando há apneia do sono documentada, quando as infecções de garganta se repetem em frequência alta apesar do tratamento, ou quando há otite média com efusão que não se resolve. A decisão considera o conjunto, e não uma medida isolada da adenoide.
O que é a tecnologia coblation?
É uma técnica que usa radiofrequência aplicada em solução salina para dissolver o tecido, trabalhando em temperatura mais baixa do que a do eletrocautério convencional. Isso permite remover o tecido delimitando melhor a área tratada. A escolha da técnica é feita pelo cirurgião, caso a caso.
Retirar a amígdala derruba a imunidade?
Não. As amígdalas fazem parte do sistema de defesa, mas não são a sua peça central, e o organismo mantém a proteção por outras vias. A cirurgia é indicada quando elas atrapalham a respiração durante o sono ou causam infecções de repetição, e a decisão é sempre individual.
Como costuma ser a recuperação?
Envolve dor de garganta nos primeiros dias, alimentação leve e fria conforme orientação, hidratação e repouso relativo. O tempo até o retorno às atividades varia com a criança e com a extensão do procedimento, e é orientado individualmente nos retornos pós-operatórios.
A adenoide pode voltar a crescer?
É incomum, mas pode acontecer, sobretudo em crianças operadas muito pequenas. Quando os sintomas de obstrução retornam depois de um período de melhora, a avaliação é refeita com videoendoscopia nasal para verificar o que está acontecendo.