Exames · Audição
Audiometria de altas frequências: o que ela mostra a mais
A audiometria de altas frequências mede a audição nos sons agudos que ficam acima da faixa avaliada pela audiometria convencional. É nessa região que a perda auditiva costuma começar, antes de aparecer no exame comum. Por isso ela é usada em zumbido com audiometria normal, em exposição a ruído e no acompanhamento de medicamentos que podem afetar a audição.
Conteúdo revisado por Profa. Dra. Aline Bittencourt, CRM-MA 7562 Atualizado em
O que é a audiometria de altas frequências?
A audiometria convencional testa a audição entre 250 Hz e 8 kHz. Essa é a faixa em que a fala acontece, e por isso ela é o exame de base para saber se alguém escuta e entende.
Só que o ouvido humano vai além disso. A audiometria de altas frequências continua o teste nas frequências acima de 8 kHz, chegando às regiões mais agudas que a audição alcança.
Por que testar sons que não usamos para conversar?
Porque é por ali que a perda costuma começar. As células sensoriais da cóclea responsáveis pelos sons mais agudos são as primeiras a sofrer com o ruído, com alguns medicamentos e com a passagem do tempo.
Isso cria uma situação frequente no consultório: a pessoa se queixa de zumbido ou de não entender bem em ambiente com barulho, faz a audiometria convencional e o resultado vem normal. A audiometria de altas frequências é o exame que enxerga essa região anterior.
Quando ela é indicada?
- Zumbido com audiometria convencional normal. É a indicação mais comum.
- Dificuldade para entender a fala em ambiente com ruído, sem perda aparente no exame comum.
- Exposição a ruído, ocupacional ou de lazer, para acompanhar a audição ao longo dos anos.
- Uso de medicamentos que podem afetar a audição, no acompanhamento antes, durante e depois do tratamento.
- Acompanhamento de perda auditiva já conhecida, para observar a sua evolução.
Como é feito?
O exame acontece na mesma sala acústica da audiometria, com fones apropriados para as frequências mais altas. Você ouve sons de intensidades diferentes e sinaliza sempre que perceber algum, mesmo muito fraco — exatamente como na audiometria convencional.
Costuma ser realizado na mesma sessão da audiometria comum e acrescenta cerca de quinze minutos ao exame.
Como se lê o resultado?
O resultado é comparado com valores esperados para a idade, porque a audição nas frequências mais altas diminui naturalmente ao longo da vida. Um limiar rebaixado em relação ao esperado para a faixa etária indica alteração naquela região.
Duas ressalvas importam:
- O exame não substitui a audiometria convencional. Ele acrescenta informação sobre uma faixa que o outro não cobre; os dois são lidos juntos.
- Um resultado alterado não é um diagnóstico. Ele é um dado, interpretado pelo otorrinolaringologista junto com a história, o exame físico e os demais exames.
Onde é realizado
Na Clínica Rhinus, no Renascença, em São Luís. O exame é conduzido por fonoaudiólogos da equipe e o resultado é discutido na consulta com o otorrinolaringologista.
Este exame é realizado apenas em regime particular. A consulta e os demais exames seguem as regras do seu convênio. Fale com a nossa equipe para organizar o agendamento.
Como me preparo para o exame?
- Traga o pedido médico: ele é obrigatório.
- Evite exposição a ruído intenso nas 14 horas anteriores ao exame.
- Se estiver gripado ou com o ouvido entupido, avise ao agendar — pode valer remarcar.
- Leve exames de audição anteriores, para comparação ao longo do tempo.
- Informe se usa ou usou medicamentos que podem afetar a audição, com os nomes e as datas.
Fontes consultadas: Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) · Flint PW, Francis HW, Haughey BH, et al. Cummings Otolaryngology: Head and Neck Surgery. 7ª ed. Elsevier; 2020. · Bento RF, Bittencourt AG, Voegels RL. Seminários em Otorrinolaringologia. Fundação Otorrinolaringologia.
Perguntas frequentes
Dúvidas sobre audição
Qual a diferença para a audiometria comum?
A audiometria convencional testa as frequências de 250 Hz a 8 kHz, que é a faixa da fala. A de altas frequências continua acima disso, chegando às regiões mais agudas. Como a lesão da cóclea costuma começar por ali, o exame pode acusar alteração antes que ela apareça na audiometria comum.
Quando esse exame é indicado?
Nas situações em que existe queixa ou risco, mas a audiometria convencional veio normal: zumbido sem perda auditiva aparente, dificuldade para entender em ambiente com ruído, exposição ocupacional ou recreativa a som alto, e acompanhamento de pessoas em uso de medicamentos que podem afetar a audição.
O exame dói ou exige preparo especial?
Não dói. É feito na mesma sala acústica da audiometria, com fones apropriados para as frequências mais altas, e você apenas sinaliza quando ouve o som. O preparo é o mesmo da audiometria: evitar ruído intenso nas horas anteriores e avisar se estiver gripado.
Um resultado alterado significa que vou perder a audição?
Não. Ele mostra que existe uma alteração em uma região que a audiometria comum não alcança, e serve como ponto de partida para acompanhar a audição ao longo do tempo e revisar o que pode estar contribuindo, como exposição a ruído. A leitura é sempre feita junto com o quadro clínico.
A audiometria de altas frequências é atendida pelo convênio?
Na Clínica Rhinus, não: este exame é realizado apenas em regime particular. A audiometria convencional e a consulta com o otorrinolaringologista seguem as regras do seu plano. A nossa equipe explica como funciona o agendamento quando você entrar em contato.